Mudança

Depois de uma semana brigando com o Uol Host e com o WordPress, apresento-lhes minha nova casa virtual: camilabatista.com.

Atualizem vossas barras de favoritos, Google Reader, etc! :)

OBS: fiz tudo sozinha. Rá! Só não reparem na bagunça, ainda estou ajeitando o site. ;)

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Uruguai: Montevidéu

Como prometido aqui, começo hoje a série de posts sobre a minha visita ao Uruguai. O primeiro post obviamente será sobre Montevidéu, a capital do país, uma cidade com muita coisa para se ver.

O Uruguai é um país pequeno – tem somente cerca de três milhões de habitantes – e Montevidéu é menor que Curitiba. No entanto, não pense que é possível andar pela capital sem utilizar transporte público ou táxi. Para começar, o Aeroporto Internacional de Montevidéu fica em Carrasco, a 18 km da capital. É preciso pegar táxi oficial para sair do aeroporto e, dependendo do horário, você pode pagar um preço bem salgado pela corrida (eu paguei 1000 pesos). Outra alternativa é o ônibus que faz a linha aeroporto-Montevidéu, que custa US$ 27, mas, como eu não utilizei o serviço, eu não sei sobre a qualidade.

Clique aqui para conferir mais fotos de Montevidéu

Para visitar as atrações da capital, o modo mais fácil e barato é o ônibus. As tarifas variam de 10 a 25 pesos (há diversas linhas e empresas que cobram valores variados). É sempre bom deixar dinheiro trocado no bolso.

Fiquei hospedada bem no centro da cidade, no Hotel Lancaster (Plaza de Cagancha). O hotel não tem luxo, mas é bem organizado e limpo. O café da manhã é muito bom – há medialunas à vontade – e o serviço de quarto é eficiente. Próximos ao hotel ficam a Ciudad Vieja (Cidade Velha), onde estão os prédios mais antigos e a o Palácio da República (Plaza de La Independencia), a prefeitura (intendencia) da cidade, que possui um elevador panorâmico (que não estava funcionando no dia que eu visitei) e a Rambla, avenida beira-rio.

Zoo Villa Dolores

Em Montevidéu há um zoológico muito bonito, o Zoo Villa Dolores. Segundo o site da prefeitura, há 550 exemplares de animais provenientes de várias partes do mundo. O local é bem cuidado e os animais estão em ótimas condições. A entrada custa 20 pesos – às quartas a entrada é franca.

Confira mais fotos do Zoo

Para chegar ao Zoo, confira no site da Intendencia as linhas de ônibus que passam lá.

Estádio Nacional

Para quem gosta de futebol, uma ótima dica é o Estádio Nacional de Montevidéu. Palco dos jogos de dois grandes times uruguaios – Nacional e Peñarol -, o estádio foi construído para a primeira Copa do Mundo FIFA, nos anos 30. O estádio conta com um modesto museu do futebol aberto aos visitantes e é possível ir até as arquibancadas do estádio para fotografar. A entrada pode ser paga em dólares, pesos ou reais. Eu paguei R$ 12.

Clique e veja mais fotos do Estádio Centenário

A manutenção do estádio é precária, o gramado estava bem ruim e o museu do futebol é bem inferior ao do Pacambu. Mas é muito legal conferir a história do futebol uruguaio e outras curiosidades. É possível encontrar referências ao futebol brasileiro – há inclusive uma camisa e uma bandeira do Cruzeiro.

Rambla e o Rio da Prata

Ir a Montevidéu e não ver o Rio da Prata é impensável, não? A cidade conta com uma avenida beira-rio (Rambla) de mais de 40 km e algo que todos precisam fazer é conferir o pôr do sol na Rambla. Ao andar pela avenida você descobre por que o rio é chamado de “Prata”.

Confira mais fotos da Rambla e do Rio da Prata

É possível também visitar Porto de Montevidéu (e ficar a uma distância pequena dos grandes navios de passageiros) e o Mercado do Porto, com lojas de artesanato e restaurantes.

Pontos positivos :)

Montevidéu é uma cidade linda, a comida é muito boa (principalmente o sanduíche típico, o chivito) e de preço aceitável, e os transporte público é suficiente (não é excelente, mas também não é ruim). Para os apaixonados por livros, há muitas opções de livrarias no centro. Quem gosta de história também está muito bem servido em Montevidéu, pois, além dos prédios históricos, há muitos museus interessantes.

Pontos negativos :(

A informação turística é quase nula. Por exemplo, quando fui à Intendencia para utilizar o elevador panorâmico, a recepcionista não sabia que o equipamento não estava funcionando e me deu o ingresso como se tudo estivesse normal. Se você quer visitar o país, pesquise na internet e planeje seu trajeto, pois não há serviço turístico público. Uma alternativa é contratar alguma agência de turismo que faça city tours com guia (há varias na Ciudad Vieja).

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[Resenha] Jane Eyre

Tenho certa predileção por romances dos séculos XVIII e XIX, principalmente os escritos por mulheres. Numa era em que elas não tinham voz alguma, a escrita servia como expressão vivaz do mundo feminino. Os romances são cheios de amor, aventura e fantasia – exatamente o que as mulheres não viviam naquela época – e sempre terminam bem, com o casamento da heroína e seu lindo mocinho.

Jane Eyre (1847), de Charlotte Brontë, é assim. A protagonista, Jane, é uma órfã adotada pelo tio materno, Mr. Reeds, que fatalmente morre pouco tempo depois. Deixada aos cuidados da tia, Mrs. Reeds, Jane sofre todo o tipo de humilhação por ser pobre e viver de favor. Mas a heroína, mesmo criança, não se resigna; de gênio forte, enfrenta todos que a fazem sofrer. Para aprender a se comportar – e, consequentemente, deixar de ser um fardo para os Reeds -, Jane é enviada a uma escola, onde passa oito anos sem contato algum com a família.

Aos dezoito anos, Jane decide arrumar um emprego como governanta e é contratada por Mr. Rochester, um homem de muitas posses que adotou uma criança francesa, Adèle. É na residência de Rochester que Jane enfrentará suas primeiras aventuras – o sobrenatural estará presente – e conhecerá o amor. Porém, uma revelação causará nova reviravolta na vida da heroína e ela precisará decidir entre amor e reputação.

A narrativa de Jane Eyre acontece em primeira pessoa (o primeiro título do romance foi Jane Eyre: uma autobiografia) e a protagonista conta sua história a partir da infância. O leitor acompanha o desenvolvimento físico e moral da personagem, que enfrenta várias dificuldades para adaptar-se à vida adulta. Charlotte Brontë também utiliza uma técnica predominante na época, o diálogo denso e constante. É possível descobrir a visão de mundo de cada personagem através de suas falas; as personagens com mais instrução possuem ótima retórica, enquanto os empregados têm vocabulário escasso. Jane Eyre, assim como outros romances da época, educa moralmente as leitoras, mostrando o comportamento feminino esperado pela sociedade.

O romance me encantou em vários pontos. Em primeiro lugar, a delicadeza na descrição de personagens, traço comum dos romances dos séculos XVIII e XIX, fascina – é necessário ter muita habilidade para descrever acuradamente cada personagem importante ao romance. Em segundo lugar, a maneira como o amor é descrito é encantadora, pois é simples e, ao mesmo tempo, forte e certeira. O amor de Jane Eyre é puro e capaz de enxergar beleza até em quem não tem beleza alguma:

Mais verdadeiro é que “a beleza está nos olhos de quem vê”. O rosto sem cores do meu mestre, sua face de oliva, sua testa quadrada e massiva, suas sobrancelhas largas e negras, seus olhos profundos, suas características fortes, sua boca firme e severa – toda energia, decisão, desejo – não eram bonitos de acordo com a regra; mas eram mais que bonitos para mim; eles eram cheios de interesse, uma influencia que quase me dominava – que tomou meus sentimentos de meu próprio poder e acorrentou-os ao dele. Eu não tive a intenção de amá-lo; o leitor sabe que eu lutei fortemente para extirpar de minha alma os germes do amor lá detectados; e agora, à primeira visão renovada dele, eles espontaneamente surgiram, verdes e fortes! Ele me fez amá-lo sem olhar para mim. (BRONTË, C. Jane Eyre. London: Collector’s Library, 2003. P. 252, tradução minha)

A leitura de Jane Eyre é divertida, mas lenta. As seiscentas páginas do romance não são lidas rapidamente e nem devem ser, pois os diálogos e as descrições precisam ser lidos com calma para serem compreendidos. O leitor ri com as coincidências e sofre junto com a heroína, exatamente o que Charlotte Brontë esperava, penso eu.

PS: Charlotte Brontë não é a autora de O morro dos ventos uivantes. Quem escreveu esse romance foi a irmã dela, Emily. Juntamente com outra irmã, Anne, as Brontë formaram uma família de escritoras aclamadas em sua época.

PPS: Há vários filmes e peças baseados em Jane Eyre. Em 2011, foi lançada a obra mais recente, o filme com Mia Wasikowska como Jane Eyre e Michael Fassbender como Mr. Rochester. Para ver o trailer, clique aqui.

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Por um dia

Por um dia, mas só por um dia, eu queria ter as habilidades de um cirurgião. Retiraria tudo o que é danoso e corrosivo no meu corpo.

Extirparia esse sentimento horrível que aperta o meu peito. Desligaria os neurônios que me ligam a certas memórias.

Começaria do zero.

Só por hoje.

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