Meu (quase) conto de fada

Era impossível não notar a presença dele. Sentado na mesa de frente para a minha, o rapaz alto, de cabelos castanhos, pele branca e olhar sério lia um jornal que eu não consegui identificar qual era. Vestia uma camisa de manga curta azul clara, calça alfaiataria e sapatos pretos. O relógio de pulso estava na mão direita; talvez fosse canhoto. O seu perfume, embora suave, chegava até a minha mesa. Na sua mesa, apenas uma xícara de café e o menu. Ele não olhava o relógio constantemente, talvez nem esperasse alguém. Aliás, não tirava os olhos do jornal, o que era bom para mim, pois podia observá-lo sem medo de ser descoberta.

Seria ele casado? Nas mãos não havia aliança. Mas e se ele fosse casado e não usasse aliança? Talvez tivesse namorada e também não usasse aliança de compromisso. Qual a profissão dele? Difícil saber. Pelo vestuário, talvez trabalhe em algum escritório ou banco. Qual seria o cantor ou banda favorita dele? Ele gostaria de Blues, Jazz e Folk, assim como eu? Qual o livro preferido dele? E o filme? E o time de futebol? Seria atleticano? Se fosse coxa-branca ou paranista, a perfeição dele seria prejudicada, mas isso seria somente um detalhe que eu deixaria de lado.

Se ele me pedisse em casamento ali, eu aceitaria sem pestanejar, mesmo que fosse para casar no dia seguinte. Ele era a personificação da perfeição, o príncipe encantado moderno, aquele com quem eu sonhava na adolescência. Mas ele terminou de ler o jornal, chamou o garçom, pagou a conta, levantou e saiu. Ao caminhar em direção à saída do restaurante, passou por mim, ao que abaixei rapidamente a cabeça para não ser descoberta. Seu perfume era mesmo maravilhoso. Ele foi embora e não consegui ver em qual direção ele foi. Não me pediu em casamento, acho que nem notou minha presença, mas conseguiu o feito de roubar completamente a minha atenção. Talvez eu nunca mais o veja de novo, o que será uma pena, pois adoraria sentir seu perfume novamente. Ele ficará na minha lembrança como uma paixonite que durou exatamente meia-hora, mas que seria capaz de mudar completamente meu rumo. Tenho certeza que seríamos felizes para sempre, como nos contos de fada.

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* Este é um texto de ficção.

Sobre Camila

Não há nada que eu ainda não disse sobre mim que vocês ainda não tenham descoberto. =P
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3 respostas para Meu (quase) conto de fada

  1. Anita disse:

    Mesmo sendo um texto de ficção, quem nunca passou por uma situação parecida? Eu já, hehe :)

  2. Pingback: Sobre eu lírico e outras coisas « It's not too late

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