Leia, favorite, comente!

Reza a lenda que T. S. Eliot, quando terminou de escrever seu mega poema Waste land, enviou o manuscrito a Ezra Pound e este o devolveu cheio de anotações que cortavam boa parte dos versos. Pound escreveu mais ou menos essas coisas: “tira isso, coloca aquilo, wtf você queria dizer aqui?” e revisou o poema. Waste land é considerado um dos clássicos da literatura mundial, mas, sem a revisão de Pound, talvez ele não passasse de um mero poeminha sobre a condição humana.

O Rob Gordon, neste post sobre a importância dos comentários nos blogs, puxou a orelha de quem favorita um blog, lê todos os textos e não comenta. Alguns preferem tuitar sobre o post, outros compartilham no Google Reader, e esquecem de passar o feedback para a pessoa que está mais interessada na recepção do texto: o autor. A falta de comentários, afirma Rob, está matando os blogs – e eu concordo plenamente com ele.

Confesso que o Rob puxou minha orelha naquele post. Eu assino o feed de vários blogs que gosto muito, leio todos os textos na medida do possível, mas raramente comento. Isso se deve à falta de tempo, à falta de conhecimento sobre o assunto dos textos ou até mesmo à preguiça. Eu acho os textos supimpas (sou antiga, tá?), mas não digo isso ao autor. Que grande exemplo eu dou.

Meus blogs nunca fizeram muito sucesso, talvez até por essa mania de enjoar do blog (ou da proposta dele) e excluí-lo, mas eu sempre adorei comentários. Fico feliz quando abro o e-mail e vejo mensagens cujo título é “Comentário [It's not too late]“. Nem sempre respondo os comentários, mas adoro quando vejo que alguém realmente leu alguns dos meus textos. Sei que algumas pessoas assinam o feed deste blog, mas só tenho a impressão de que alguém leu os textos quando essa pessoa comenta. Quando isso não acontece, penso duas coisas: 1) que ninguém leu; 2) que o texto ficou tão ruim que ninguém se animou a comentar.

Não digo que vocês, leitores, devem comentar sempre os meus posts, até porque alguns deles não fazem sentido algum (mea culpa). Porém, eu gostaria bastante de saber a opinião de vocês, nem que seja para dizer que o texto ficou uma droga. É assim que eu posso melhorar a qualidade dos meus posts. Vocês podem ser os Pounds da minha vida – não que eu me considere a versão feminina de T. S. Eliot; claro que não – e dizer no que eu devo melhorar. É por isso que eu aderi à campanha proposta pelo Rob Gordon e coloquei este banner na barra lateral deste blog:

Esta campanha não se restringe somente a este blog. Se você gostar de um texto de um site qualquer, comente, indique melhorias, divulgue. São os comentários que dão vida aos blogs. De minha parte, prometo voltar a comentar nos meus blogs favoritos e reatar os laços tão bacanas com os meus autores favoritos.

PS: se você quiser participar da campanha, escreva um texto sobre a importância dos comentários para você e coloque o banner no seu blog. Se não quiser escrever, não há problema. ;)

PSS: Na verdade, a história sobre Eliot e Pound não é lenda, é real mesmo. Pound realmente revisou Waste Land e, se eu não me engano, uma editora lançou uma edição do poema só com as anotações dele.

Sobre Camila

Não há nada que eu ainda não disse sobre mim que vocês ainda não tenham descoberto. =P
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15 respostas para Leia, favorite, comente!

  1. Rob Gordon disse:

    “Quando isso não acontece, penso duas coisas: 1) que ninguém leu; 2) que o texto ficou tão ruim que ninguém se animou a comentar.”

    Eu, pessimista por natureza, sempre penso na segunda hipótese. Sempre. Muita gente leu, mas ninguém comentou? Ficou ruim. Mas comecei a mudar de ideia quando vi que um texto desses foi bastante retuitado. Ou seja, ruim não estava, já que as pessoas estavam indicando aos amigos.

    Um dos problemas são os readers, acho. Eles aumentam o conforto do leitor no que diz respeito à leitura, mas não no que diz respeito aos comentários. Para comentar, ele precisa entrar no blog – e, num mundo corrido como o nosso, com dezenas de janelas abertas no PC, esquece, ninguém vai fazer isso.

    O jeito, não adianta, é provocar o leitor a participar. É o caminho mais fácil (não que seja fácil fazer isso em todo o texto). :-/

    Adorei o texto (a parte do T. S. Elliot ficou fantástica, explica perfeitamente a importância do feedback) e fiquei orgulhoso da citação.

    Beijos!

    • Camila disse:

      Concordo com a questão que você levantou. Os readers facilitaram muito a vida dos leitores, mas essa facilidade não combina com o que nós, blogueiros, desejamos. Precisamos pensar numa nova maneira de chamar a atenção dos leitores.

      *****
      E poxa, Rob, receber um elogio seu é uma honra! Obrigada! ;)

  2. Tem toda razão.

    Não tem nada que nos dê mais prazer (como escrevente de qualquer tipo de texto) do que um feedback – seja negativo ou positivo.

    Muitas pessoas comentam ‘que não sabem o que comentar’. Não quero acusar assim os seus nem os meus leitores, mas talvez a humanidade passe por uma grave crise de juízo, onde não se forma valor sobre coisa alguma.

    Talvez. Bela iniciativa!

    • Camila disse:

      Algumas pessoas têm medo de errar ou escrever besteira, talvez por não dominarem o assunto ou por falta de conhecimento mesmo. Esse medo as impede de participar ativamente, acho.

      Vamos tentar chamar os leitores e ver se conseguimos mudar essa realidade. Vale a pena tentar! ;)

  3. Marina disse:

    Pois é, como a gente pode saber que alguém leu, se não comentou? A pessoa pode simplesmente ter entrado sem querer no blog, enquanto procurava alguma besteira no Google, ou entrou porque o link apareceu no twitter. Mas isso não quer dizer que ela leu. A gente só sabe que a pessoa leu quando ela comenta. Mesmo que não tenha gostado, um comentário sincero sempre acrescenta alguma coisa.

    Também achei genial a parte de T.S. Elliot.
    Beijos!

    • Camila disse:

      E há também aqueles casos de pessoas que só “passaram o olho”; leram, mas não entenderam. Nós não temos como diferenciar essas pessoas daquelas que leram realmente se estas não comentarem.

      Obrigada pelo elogio! ;)

  4. Anita disse:

    Eu leio todos os seus posts, mas quase sempre acabo não comentando por preguiça mesmo.

    (E depois reclamo que não comentam meus posts :p)

    Eu já estava escrevendo “prometo que daqui pra frente vou comentar mais”, mas acho que não posso prometer isso. Minha preguiça quase sempre me domina! Posso prometer que vou tentar comentar mais, serve?

    Quanto ao feedback, acho que já disse isso mais de uma vez: você escreve muito bem! Eu gosto muito de ler seus posts, geralmente são eles que me fazem ficar com vontade de escrever um pouco também! :)

    Bjo

    • Camila disse:

      Não precisa prometer que vai comentar, Anita. É só comentar quando for possível! ;)

      E outra: enquanto eu ainda era uma caloura de letras que mal sabia escrever uma linha sem lugares-comuns, você já escrevia muito bem (lembra da novela mexicana?). Desde aquela época eu gosto de ler o que você escreve! ;)

  5. @edumasuda disse:

    Eu leio sempre e fico feliz sempre que tem um post do seu blog no meu reader. :) nao desanima.

  6. @reddevil89 disse:

    Atendendo a pedidos…hahaha
    Já te falei via twitter, curto teu blog.
    Vc escreve super bem, tem talento pra coisa, ao contrário deste que vos fala. heheh
    Mas é isso: continue assim que to sempre acompanhando e comentarei sempre que possível. :)

  7. Bruno disse:

    Estamos no mesmo barco! Preguiça, falta de tempo. Às vezes deixo de comentar porque acho que não tenho nada de importante pra dizer. Medo idiota, porque no meu blog eu fico feliz com qualquer “oi, tudo bem?” que me deixem, haahaha.

    Enfim. Vamos comentar!

    • Camila disse:

      Bruno, antes de tudo, adorei seu blog! Não conhecia (e olha que você é “conterrâneo”), hahaha.

      Vamos comentar, sim! E pode deixar que comentarei no seu blog que adorei seus textos. =)

  8. Pingback: Os números de 2010 « It's not too late

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